viernes, 24 de julio de 2009

EXPERIENCIAS DIFERENCIALES DE LO POLÍTICO: CUERPO, EXPRESIÓN Y ACCIÓN. Paola Andrea Gaviria

La pregunta por la política como campo de actuación o como dominio conceptual se sitúa en la actualidad en el centro del debate de sociólogos, antropólogos, filósofos, politólogos y activistas sociales, debido entre otras razones a que, aquello que era denominado como lo político; es decir, el estado-nación y sus respectivas acciones (conservar el orden, administrar el bienestar, permitir elegir y ser elegido, entre otros aspectos) ha entrado en crisis. De igual forma, esa otra manera de entender la política como ejercicio de resistencia, como interpelación al poder hegemónico o como revolución, ha sido cuestionada, pues tras largas batallas, luchas fallidas o coptaciones, lo que en ambos casos se ha dejado por fuera del tintero, es la comprensión de la experiencia humana como un acto político en si mismo.

La pregunta que me lleva a estas reflexiones iniciales tiene que ver entonces con qué de la política aun no ha sido nombrado o reconocido.
En este sentido, es importante resaltar que las experiencias humanas se encuentran mediadas por la corporeidad, a través de esta el hombre hace que el mundo sea la medida de su experiencia. El ser humano transforma su cuerpo en un tejido familiar y coherente, disponible para su acción y permeable a su comprensión . -¿Cómo podríamos estar y relacionarnos con el mundo y con otros si no tuviésemos un cuerpo? El cuerpo es el medio fundamental de los seres humanos para experimentar y accionar en el mundo y con otros, es la posibilidad de insertarse activamente en un espacio social, cultural y políticamente dado- .
En Colombia grupos de mujeres y de jóvenes han creado experiencias diferenciales de lo político en relación al cuerpo; son colectivos que nacen en respuesta a manifestaciones del conflicto armado como desplazamientos o desapariciones forzadas, asesinatos o modalidades como la “limpieza social” o por la necesidad de reivindicar la autonomía o autodeterminación; reconocen que el ejercicio de la política no solo se expresa en espacios institucionalizados por el estado, sino también a través de las artes escénicas, de los performance, de la interpelación a los discursos y experiencias que los han configurado como sujetos; Han puesto en el centro de su accionar político sus experiencias vitales, nombrándolas, comunicándolas a otros y evidenciando en lo público aquello que es considerado de la vida privada.
Si el ejercicio de la política puede realizarse a través del cuerpo, ¿Qué lugar ocupa el cuerpo en las dinámicas de subjetivación política de las mujeres y los jóvenes?, ¿Qué papel juega la creación y la expresión a través del cuerpo en las dinámicas de subjetivación política de las mujeres y los jóvenes?
La ponencia que se pretende dar a conocer es el resultado del proyecto de investigación “Experiencias diferenciales de lo político: Cuerpo, Expresión y Acción”, tiene como propósito desarrollar detalladamente los puntos de discusión expuestos anteriormente, realizar una descripción detallada de algunas experiencias de mujeres y jóvenes en torno a la relación cuerpo-acción política-expresión y la socialización de cómo metodológicamente la investigación fue llevada a cabo.

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PARTO E CRIATIVIDADE NA CONTEMPORANEIDADE: LA MIRADA FEMENINA O FEMINISTA... Rosamaria Giatti Carneiro

Doutoranda em Ciências Sociais IFCH – Unicamp. Bolsista FAPESP. São Paulo - Brasil

Neste ensaio pretendo analisar os significados que um conjunto de mulheres brasileiras tem atribuído à gestação e ao parto. Elas se destacam na busca de um “parto mais natural” e, com isso, têm dado corpo ao ideário, ainda recente, do denominado parto humanizado. Se, desde a modernidade, a medicina parece ter trazido para si a parturição, essas mulheres parecem querer resgatá-la com o intuito de experienciá-la de modo mais intenso. Para isso, têm conferido a noção de dor, de saúde e de corpo feminino um outro universo simbólico. Se a cesárea é tida pela maior parte da população como o meio mais seguro de se dar à luz, para elas trata-se de algo a ser evitado a fim de que se possa deixar afetar pelo trabalho de parto. Para isso, têm criado estratégias para escapar da rotina médica hospitalar.

Essas estratégias vão desde reuniões em grupos de preparo para o parto até a vivência de partos domiciliares. Em razão disso, nesta ocasião gostaria de, primeiro, explorar a pluralidade de significados que parecem surgir de suas práticas. Para, em seguida, poder problematizar tais atitudes femininas à luz de dois operadores bastante valiosos para minha pesquisa: o de “órgãos sem corpos” da filósofa feminista Rosi Braidotti e o de “linhas de fuga” do também filósofo pós-estruturalista Gilles Deleuze.


Parto humanizado: percepções femininas contemporâneas

Em fins dos anos de 1980 aflora no Brasil o, hoje, denominado ideário do parto humanizado. Um grupo de gestantes e de profissionais de saúde, insatisfeitos com os usos e abusos da cesárea, bem como com a rotina de intervenções médicas por ocasião do parto, dá início à crítica da prática obstétrica brasileira. Nos anos 2000, fundam a ReHuNa, Rede de Humanização do Nascimento, e a partir dela passam a demandar mudanças no sistema de saúde tanto público quanto privado. Embasados nas recomendações da Organização Mundial de Saúde passam, então, a exigir que seja observada a taxa de 15% de partos cirúrgicos ao ano, tendo em vista contar-se naquela época com um índice superior a 50%.

Hoje o Brasil ocupa o posto de líder mundial no número de cesáreas ao ano, com uma incidência de 43% de partos abdominais/ano. Se, a princípio, as mulheres e alguns médicos pareciam ser os mais preocupados com essa realidade, atualmente também o governo brasileiro tem se dedicado à redução desses índices. De acordo com pronunciamento do atual ministro da saúde no jornal ‘Folha de São Paulo’ de 8 de dezembro de 2008, o governo pretende reduzir a taxa de cesáreas, por meio de campanhas públicas e incentivos financeiros, para 25% até o ano de 2011.

Os modos de parir têm, portanto, ocupado o palco da saúde coletiva no Brasil, tendo tornado-se tema e questão de saúde pública. Se o governo assim tem se posicionado mais recentemente, as mulheres, por sua vez, parecem debater o assunto há mais tempo. Pode-se dizer que ao menos desde os anos de 1980. Organizadas em grupos de preparo para o parto, elas têm tomado conhecimento da praxe da obstetrícia brasileira, feito a crítica do modelo vigente e se disposto a parir, para usar Foucault (1993), diferentemente.

Esse conjunto de mulheres busca o que denominam de um parto ‘mais natural’, negam a cesárea como a primeira e melhor forma de parir, bem como o conjunto de procedimentos médicos padrão direcionados ao nascimento (enema, tricotomia, ocitocina, analgesia e episiotomia). Para isso, parecem partir do pressuposto de que o uso excessivo da tecnologia teria gerado uma espécie de “normatização” dos partos, a sua padronização e ao mesmo tempo o seu “esquadrinhamento”. Funcionando muito mais a idéia de corpo-máquina e a lógica fabril do que o entendimento de que o parto é também um acontecimento social, cultural e psicológico. Diz-se lógica fabril à luz do escrito por Davis-Floyd (2004), especialista em antropologia do nascimento; para quem o hospital poderia ser equiparado à fábrica, assim como a parturiente à máquina e o bebê à mercadoria final.

Em termos de marcadores sociais, esse conjunto de mulheres poderia ser descrito, em linhas gerais, como um grupamento de classe média, urbano, branco, heterossexual, entre 25-40 anos e composto de pessoas com grau superior completo. Esta pesquisa cingi-se a duas cidades do Estado de São Paulo, a capital e Campinas. Em ambas, temos freqüentado grupos de preparo para o parto humanizado e realizado entrevistas com mulheres que deram à luz de outra maneira que não mediante a cesariana.

Em um sentido mais amplo e num tom mais antropológico, poderíamos dizer serem essas mulheres, de modo geral, adeptas de um “estilo alternativo” de vida, caudatárias da geração de 68, mas hoje influenciadas pela onda new age da espiritualidade, nos moldes já analisados por Sonia Maluf (2004). São adeptas do vegetarianismo, do ecologismo e, em alguns, casos de algum feminismo e da antroposofia. Constatou-se também serem afeitas às “terapias alternativas”, mais marcadamente às orientais, muito embora tenha sido possível perceber, na realidade, uma grande mescla ou um bricolage de tendências religiosas ou espirituais, tais como budismo, xamanismo, espiritismo e religiões de matriz afro-descendente. São, por fim, casadas ou vivem em regime marital; têm entre um ou três filhos e, geralmente, decidiram pela maternidade passados os 28 anos.

Segundo autoras como Tornquist (2004), Nogueira (2004) e Diniz (2005), entre outras, essas mulheres entendem que o parto é muito mais do que um acontecimento fisiológico. Para elas, o parto seria também um evento social, cultural, familiar, pessoal e sexual. Por isso, não pode e não deve ser tratado à luz somente da biologia e de uma idéia moderna de natureza, qual seja inerte e passiva, ainda assim a ser domesticada pela cultura. Por parto humanizado entende-se uma gama de modos de parir. De fato, como escreveu Diniz (2005), trata-se de uma expressão polissêmica. Diz-se dessa maneira porque, no interior do ideário, parir de maneira humanizada pode oscilar desde um parto domiciliar sem nenhuma intervenção médica até um parto vaginal mediante anestesia no interior de um hospital. O fio condutor da humanização é, por isso, um “fazer frente” ao uso e abuso das cesáreas e dos procedimentos e técnicas de praxe. Daí decorre a premissa de que os adeptos de outros modos de parir não negam a medicina e o valor do parto cirúrgico, mas questionam e contrapõem-se ao fato do mesmo ter se tornado regra no Brasil.

Expressões como “parto normal”, “parto natural” e “parto mais natural”, parecem ocupar o mesmo espaço ou, então, referir-se a mesma idéia no interior dos grupos de preparo para o parto humanizado. Por “mais natural” entende-se aqui o parto com o mínimo de intervenções médicas possível. E é em nome dessa possibilidade que essas mulheres parecem ter se organizado e se preparado. Esse “movimento”, se é que se pode usar essa terminologia, não surgiu repentinamente e nem mesmo cinge-se ao cenário brasileiro. De acordo com estudos etnográficos de Salem (2007) e Tornquist (2004), a crítica da prática obstétrica moderna e contemporânea teria nascido nos idos de 1950, com as idéias de Leboyer e Odent, médicos franceses e idealizadores do método “accouchement sans doleur”. Para o Brasil, essa filosofia teria sido importada nos anos 60 e, em seguida, teria sido somada às experiências de parturição indígena estudadas por médicos por Galba Araujo e Claudio Parcionik. Esses médicos, inspirados nos índios, teriam estimulado modos mais naturais de parir e reverenciado as benesses dos mesmos. Por certo que muitas outras foram as influências e, para usar Salem (2007), as “vanguardas obstétricas”, mas, nesta oportunidade, a temática é outra e, por isso, a elas não adentraremos.

Significados e perspectivas plurais

O propósito deste ensaio é trazer a tona a pluralidade de percepções e de significados que essas mulheres parecem estar construindo acerca de parto, dor, saúde e corpos femininos. Falar dessa pluralidade implica também discorrer sobre eventuais divergências ou dissonâncias entre o por elas percebido e pelos médicos anunciado. Por isso, ambas serão tratadas conjuntamente.

Segundo Foucault (1993), a medicina social e o hospital surgem no século 18 com o objetivo de ordenar e normalizar a sociedade moderna ainda nascente. Para isso, os considerados “anormais”, quais sejam os doentes, os loucos, os mendigos e as crianças abandonadas, entre tantos outros, eram para lá encaminhados. O hospital passou a auxiliar no “esquadrinhamento” social. Se antes era tido como “morredouro”, para onde eram encaminhados os que se encontravam a beira da morte, da modernidade em diante passou a ser percebido como espaço de organização social e de cura das enfermidades. Curar torna-se imperioso porque a doença assume um caráter de algo a ser evitado, remediado e contido. Proteger a população dos estados-nação passa a ser uma tarefa estatal, posto que uma população saudável passa a representar riqueza dali em diante.

Se a medicina e o hospital assumem essa tarefa, a de organizar e curar as enfermidades sociais, poderíamos pensar que também em nome da população teria surgido a obstetrícia. E, com ela, a idéia paulatinamente divulgada de que o melhor parto seria o acompanhado pelo médico. É nessa fase em que as parteiras e as casas deixam de ser atreladas aos nascimentos e aos partos. E é nela também em que o parto passa a ser considerado, primeiramente, um acontecimento fisiológico e, em muitos casos, também perigoso e dolorido. O surgimento da analgesia e dos antibióticos, segundo Shorter, contribuíram para a difusão do discurso médico obstétrico. Muitas mulheres passaram a preferir a segurança dos hospitais. Essa segurança seria derivada da noção de assepsia e da vigência de um discurso de saber científico de parto.

Segundo Mott, em São Paulo, por volta dos anos de 1930, os partos já tinham em grande parte migrado das residências para os hospitais e hoje, salvo as iniciativas das adeptas do parto humanizado, a imensa maioria dos nascimentos acontecem em ambiente hospitalar. O problema não parece ser essa mudança de endereço, mas muito mais como o quanto ela e a rotina médica tornaram-se regra em nossos dias.

Sobre a prática da obstetrícia contemporânea, vale ressaltar os estudos de Davis-Floyd (2004). Segundo a antropóloga, a medicina moderna resultou nessa seara num modelo de assistência ao parto tecnocrático, burocratizado e eminentemente tecnologizado. Esse atendimento tem sido por ela caracterizado como esquadrinhado, mecânico, desafetuoso, impessoal e, eu diria, segmentado. É nesse sentido que o operador “órgãos sem corpos” de Braidotti (2000) parece aqui encontrar aplicabilidade.

Para a filósofa, em primeiro lugar, o discurso da sexualidade e o da reprodução atuam como espaços de produção de verdade sobre os sujeitos e marcam a modernidade. O corpo teria se tornado, nesse período, lócus de proliferação discursiva, de modos de conhecimento, modos de normatividade e de normalização que interessariam simultaneamente aos campos político e científico. Mas, mais do que isso, teria, para tanto, se tornado, por meio das biociências, um tipo de “mosaico de peças desmontáveis”. Teríamos perdido a noção de unidade corporal, pois por meio da separação ter-se-ia a fantasia de um maior controle sobre os seres humanos. Daí emprega a autora o termo “órgão sem corpos”, os órgãos, e em nosso caso o útero, predominariam, passariam a ter vida própria e isoladamente, teriam tornado-se ponto de atenção e de controle social e médico.

Perde-se a unidade corporal e, com ela, uma espécie de profundidade dos corpos, tudo teria se tornado superfície, microscópico, segmentado. Segundo Martin (2006), outra antropóloga que analisou o nascimento na contemporaneidade norte-americana, o útero passou a ser uma máquina e os partos passaram a seguir uma certa lógica fabril. Não contar com o número de contrações esperadas e no tempo pré-determinado pela medicina de manuais teria se tornado disfunção, problema, descompasso e mau funcionamento. Nesse sentido, escreve a filósofa antes mencionada:

... un útero es un utero... En ese caso: ¿por qué no lleva una madre los bebés que su hija logró concebir? Y por extensión, agujero, ¿por qué no pensar que el abdomen de uno, el otro, bien puede equivaler al útero de otra, yo misma? (2000:103)


Se, conforme a mesma, autora:

Hacer bebés es una de las principales preocupaciones de un mundo occidental postindustrial ansioso, en el cual la mayor parte de las mujeres parecen haber optado por el crecimiento de población nulo. (2000:100)

Estaríamos diante de um mecanismo de controle sobre os corpos que recairia sobre a reprodução. Dada a importância da procriação desde a modernidade até os dias atuais e a necessidade de seu ordenamento, os corpos teriam sido, então, compartimentados e um útero teria se tornado um útero, ou ainda mais um útero. Sendo assim, as singularidades de cada experiência de parto e de cada mulher grávida cairiam por terra. Todas passariam a ser consideradas pela mesma lente, um óculos tecnocrático e bastante tecnologizado. Por isso, estaríamos hoje, nos dizeres de Davis-Floyd, submetidos a um modelo de assistência tecnocrático hospitalar.

Se os úteros são tidos como iguais, como mais um e como espécimes de máquinas, como um certo relógio, no ambiente hospitalar o sangue, a placenta e os fluídos do parto são considerados fonte de cuidados, a serem tratados de modo mais asséptico possível. Fontes de contaminação, mas também objetos de descartabilidade. De outro lado, tenho percebido que, para as mulheres adeptas de outros modos de parir que não a cesárea, o sangue, o suor e a placenta abrigam outras significações. Não representam perigo, contaminação e nem mesmo são descartáveis. Digo dessa maneira porque muitas enterram a placenta em casa depois de um parto domiciliar. E mais, a ela são gratas, a respeitam em razão de ter nutrido e acolhido seus filhos antes do nascimento. A placenta é, em muitos casos, reverenciada como símbolo daquela experiência. O suor e o sangue são encarados como pertencentes aquela cena e não recebem a conotação de abjetos, de sujo e de impureza, são tidos como “naturais”. O seguro, para muitas localizado no hospital, para as mulheres de minha etnografia, recai muito mais em suas casas, lá encontra-se sediado, no conhecido e no familiar. Para elas, o útero carrega um quê de sagrado, para nada uma máquina, as contrações são consideradas caso a caso e não como disfunção ou com um timing a ser observado. O útero é muito mais o “ninho”, o acolhimento, o símbolo da maternidade e da mãe do que um relógio.

Trata-se, portanto, de uma outra lógica, de uma outra percepção e de outros universos simbólicos. Cada caso é um caso, cada mulher, cada casal e cada parto, mas de maneira geral, para que os decidiram viver o parto em casa, os significados atribuídos parecem ser bastante diferentes dos conferidos no hospital e pelos médicos. É certo que hoje contamos com profissionais da saúde que possuem uma outra orientação de atuação, muitos são inclusive adeptos do ideário de um parto “mais natural”, mas ainda assim a regra é a da técnica e do manual médico moderno, dito aqui tradicional.

Poéticas femininas e novos feminismos: a criatividade

Diante disso, dessa percepção de que o parto é muito mais do que o fisiológico e de que podemos atribuir outros significados ao que esse acontecimento carrega consigo, gostaria de aqui cogitar a possibilidade de estarmos diante de “linhas de fuga” da prática obstétrica contemporânea. Penso em “linhas de fuga”, na esteira de Deleuze (2007), como possibilidades de escape de uma prática que parece ter se tornado regra. Ou, ainda, como criatividade. Criatividade enquanto poética, enquanto criação e inovação.

Essas mulheres, discordando dos usos e abusos da cesárea, criam estratégias para parir de outros modos, organizam-se, modelam seus corpos, seus cotidianos, sua alimentação e modo de viver. Procuram estetizar o seu parto e apontam para a possibilidade de outros universos simbólicos de corpo, saúde, doença e parto. Plurais passam a ser as perspectivas e posturas numa tentativa de se romper com uma espécie de “normatização” dos partos na atualidade.

Por isso, tendo a enxergar em suas práticas poéticas de parturição, criação e, de certa maneira, algo de estético. Essa postura, embora tenha sido criticada por enaltecer a maternidade e uma idéia de natureza feminina, por outro lado sugere uma outra relação da gestante e parturiente com seu corpo e com o discurso de saber-poder médico. Se o feminismo tem demonstrado dificuldades para abordar a temática da maternidade, poderíamos pensar aqui na existência de um quê feminista, tendo em vista tratar-se também de uma resposta à medicalização e histerização do corpo feminino. Uma reposta às tentativas de controle e de sujeição. Isso porque, “por un lado las emociones y los cuerpos son el espacio de la explotación, de la expulsión, el conflicto y la dominación y, por otro, el territorio de creatividad, goce y autonomía de la vida”.


Referências bibliográficas

BRAIDOTTI, Rosi. Sujetos nómades. Buenos Aires: Paidós, 2000.

DAVIS-FLOYD, Robbie. “The technocratic, humanistic and holistic paradigms of childbirth” In: Internacional Journal of Ginecology and Obstetrics. Internacional Conference on Humanization of Childbirth. Brazil, Fortaleza, 2-4 november 2000, pp. 5-23. Disponível em: www.amigasdoparto.org.br, acessado em 6 de out. 2007.

DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Mil Platôs : Capitalismo e Esquizofrenia. Vol. 1. São Paulo: Editora 34, 2007.

DINIZ, Carmen Simone Grilo. “Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentido de um movimento” In: Ciência & Saúde Coletiva, 10 (3). São Paulo, 2005. pp. 627-637.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. São Paulo: Graal, 1993.

MARTIN, Emily. A mulher no corpo: Uma análise cultural da reprodução. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2006.

MOTT, Lucia. Atendimento ao parto em São Paulo: o serviço obstétrico domiciliar. In: Lima Costa, Cláudia e SCHMIDT, Simone Pereira. Poéticas e políticas feministas. Florianópolis: Editora de Mulheres, 2004. pp. 113-124

NOGUEIRA, Adriana Tanese. A carne se faz verbo - o parto de baixo risco visto pela ótica das mulheres. Dissertação de mestrado, PUC-SP, 2004.

SALEM, Tania. O casal grávido. Disposições e Dilemas da parceria igualitária. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

TORNQUIST, Carmen Susana. Parto e Poder. O movimento de humanização do parto no Brasil. Tese (Doutorado). PPGAS-UFSC, Florianópolis, 2004.

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lunes, 20 de julio de 2009

Dominación y sumisión. El cuerpo como espacio de concreción y disputa institucional. Gerardo Romo Morales

Universidad de Guadalajara

Con el trabajo que se presenta, se da continuidad a una línea de trabajo sobre instituciones y prácticas sexuales alternativas. En esta ocasión se trabaja con sujetos vinculados entre sí a partir de relaciones de “transferencia de poder”, en donde se ponen en práctica roles asociados a la dominación y la sumisión.
La intención es mostrar como el cuerpo, en las posiciones y posturas que adopta a la hora de la interacción acordada en estas prácticas (re)presenta: formas institucionales amplias y hegemónicas de las relaciones sociales más generales (en este caso de dominación), y b) una intención de los actores por modificar éstas.

Se trabaja con la idea de que las instituciones se viven como un complejo entramado de incentivos (positivos) y restricciones (negativas) para el comportamiento de los actores. Que constituyen prácticas que se consolidan cristalizadas en formas organizativas que se estructuran con rasgos que le definen como tales cuando han cubierto, con su forma específica, periodos prolongados de tiempo histórico.
Esta idea que he desarrollado de instituciones, se relacionará con la de “postura” en Giddens para completar el referente teórico.
En términos prácticos, y a partir de que uno de los espacios más socorridos por las personas que interactúan alrededor de estas prácticas es el cibernético, por lo tanto, lo que se presentará para este Congreso será el análisis de la información que algunos de éstos generan, y de lo que resulte de las entrevistas que se realizan, tanto a quienes asumen para el juego los roles de dominantes como de sumisos.

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viernes, 17 de julio de 2009

HOLA A TODOS!

Antes que nada, queríamos agradecer por el incesante envío de trabajos!
Esperamos poder potenciar este espacio de intercambio.

Para eso, les contamos que los trabajos van quedando en orden de fecha de llegada, por lo que les pedimos que revisen las "entradas antiguas" (al margen derecho encontrarán el "Archivo", con todas las entradas, las más antiguas al comienzo).

Ya hay comentarios de algunos trabajos, por eso les recordamos hacer esta revisión de los temas que les interesen, asi podemos intercambiar comentarios.

Esperamos continuar con esta iniciativa sostenida por todos!

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El fortalecimiento de la identidad y las emociones en los alumnos de secundaria a partir del estudio de la ciudadanía. Irma Salazar Mastache

Lic. en Comunicación. C. Mtro. en Docencia y Administración de la Educación Superior
Normal Superior del Estado de México
irlalu@hotmail.com

En esta ponencia se ofrece una perspectiva de análisis sobre las emociones en el proceso de formación de los jóvenes de educación secundaria en el Estado de México que influenciados por estilos de vida ajenos a los suyos, por esquemas consumistas o por escenas y escenarios reales de violencia, injusticias, conflictos, discriminación e intolerancia a la diversidad cultural muchas veces cometen acciones que sobrepasan los patrones éticos y normativos previamente establecidos en sus entornos y otras veces se convierte en seres vulnerables afectando su aceptación personal, su convivencia social y familiar, su rendimiento escolar y/o su baja autoestima. La identidad y las emociones en los alumnos de secundaria son elementos que valdría la pena considerar para fortalecer su desarrollo personal. Analizar esas emociones que sienten los jóvenes de educación secundaria mismas que intervienen en los proceso de enseñanza, aprendizaje y socialización, así como hacer conciencia de la compleja realidad que enfrentan es lo que se pretenden con este trabajo.


La educación secundaria en México se define como el último tramo de la enseñanza básica obligatoria, en este nivel educativo se atienden alumnos entre los 12 y 15 años de edad. Comprendida como el puente entre la educación elemental y la preparatoria, la secundaria se coloca como punto intermedio entre los niveles de educación primaria y educación superior.

En México, la educación básica es obligatoria para los niños y niñas como un derecho gratuito que culmina en la secundaria. La Secretaría de Educación Pública es la encargada de suministrar a los profesores los planes y programas de estudio revisados y modificados con cierta periodicidad para atender las necesidades de la población infantil y juvenil del país. La Constitución de los Estado Unidos Mexicanos consigna: Todo individuo tiene derecho a recibir educación. El Estado – Federación, Estado, Distrito Federal y Municipios- impartirá educación preescolar, primaria y secundaria. La educación preescolar, primaria y la secundaria conforman la educación básica obligatoria (Art 3).

Decretos, reformas, modalidades y planes de estudio han surgido en torno a la educación secundaria en México, desde 1915 que se promulgara de manera formal, hasta 2006 con la Reforma en Educación Secundaria (RES). Ajustando sus planes y programas de trabajo que con la intención de que sean útiles y aplicables a lo largo de la historia, procurando que los alumnos adquieran la preparación académica, los métodos de estudio y la formación necesaria para continuar con su preparación profesional.

Desde 1993 la educación secundaria fue declarada componente fundamental y etapa de cierre de la educación básica obligatoria. Mediante ella la sociedad mexicana brinda a todos los habitantes de este país oportunidades formales para adquirir y desarrollar los conocimientos, las habilidades, los valores y las competencias básicas para seguir aprendiendo a lo largo de su vida; enfrentar los retos que implica elevar la calidad de los aprendizajes, así como atender con equidad a los alumnos durante su permanencia en la escuela y asegurar el logro de los propósitos formativos plasmados en el currículo nacional. http://www.telesecundaria.dgme.sep.gob.mx/formacion/planestudios2006.pdf

Estas disposiciones son importantes, pues además de la legalidad que otorgan conlleva un reconocimiento implícito hacia la diversidad y un compromiso para todos los niños y niñas mexicanos sin distinción de género, raza o situación económica.

Por Ley la educación debiera llegar a todos los niños y niñas del país, sin embargo la realidad nos muestra que no esta al alcance de toda la población infantil mexicana, y aquellos que tienen oportunidad de acudir a las instituciones educativas tienen que hacer frente a una serie de situaciones que giran en torno de su educación.

Conocida hoy como un nivel obligatorio de educación básica, la secundaria reclama nuevos contenidos y formas de realizarse o impartirse. Tal pareciera que los esfuerzos no han sido suficientes, Ynclán (2003:24) puntualiza: a pesar de que hoy todos manejamos un discurso constructivista en la enseñanza, ni la reflexión, ni la negociación, ni el desarrollo del pensamiento crítico han permeado en las aulas de secundaria.

Casi un siglo ha pasado desde que se promulgó la educación básica y aún se respira en las aulas de secundaria un autoritarismo ejercido por los profesores sobre los alumnos (auspiciado por los directivos y supervisores), intentando los profesores transmitir su conocimiento y sobrevivir ante numerosos grupos de adolescentes que frente a la represión buscan formas de rebelarse, encontrándose con nuevos castigos de parte de educadores y tutores que reprimen, convirtiéndolos en seres pasivos, tímidos, sin creatividad, incapaces de pensar en los otros.

Hacemos referencia a una violencia dirigida a jóvenes de secundaria y entre los jóvenes de secundaria, manifestada en diversas formas, violencia que excluye, violencia que discrimina, violencia que arrebata, violencia que manipula, violencia que limita y que no permite que el alumno piense distinto uno del otro, que no permite que reconozca el potencial que tiene y lo que es peor, una violencia que sigue sin tomar en cuenta al sujeto que aprende dentro de sus aulas.

La situación descrita enmarca las condiciones de educación de calidad imposible manifestada en aprovechamiento escolar, debido a la diversidad de violencias, la exclusión, el choque de culturas y las prácticas intolerantes entre individuos. Todo esto genera en los alumnos un cúmulo de emociones a las que los chicos deben enfrentarse en su diario ir, permanecer y venir de la escuela.


Los adolescentes como protagonistas de prácticas sociales

La época de la modernidad que nos esta tocando vivir, reclama cambios vertiginosos en las estructuras de nuestra sociedad, la cual en la mayoría de los casos se ve rebasada por los cambios o avances tecnológicos y sociopolíticos a nivel mundial, mismas que van modificando también nuestra forma de vivir, nuestras creencias, nuestras costumbres y nuestros valores. Este contexto al que nos enfrentamos día a día nos demuestra que los paradigmas que se utilizan en el sistema educativo pierden vigencia y la información por sí misma ya no es suficiente para la formación de los jóvenes. Sin embargo lo que esta en constante proceso de cambio y adaptación son los contenidos educativos y los procedimientos a través de los cuales se educa al otro. Lo esencial en la educación no ha cambiado con el correr de los años: la acción entre humanos, unos que enseñan y otros que aprenden. Entonces que es la educación sino una práctica social.

Las “buenas prácticas” que pretenden enseñar en la secundaria terminan ahí mismo, dentro del mismo plantel educativo. Por un lado se les pide a los adolescentes que practiquen valores, que respeten y que sean tolerantes con sus compañeros y con sus familiares. Por otro lado los profesores se dan por bien servidos al enseñar a sus alumnos todo lo referente a valores, les hacen dictados, esquemas, dibujos y hasta exámenes escritos para cerciorarse que hayan aprendido eficazmente la clase. Respondiendo así a la necesidad social de fortalecer los valores en las personas desde su etapa de aprendizaje escolar.

La deshumanización ha penetrado en el ámbito educativo: para los docentes el cumplir con el cúmulo de trabajo administrativo y la demanda de alumnos en las aulas propicia que las propuestas sugeridas por la parte oficial, con las mejores intenciones de mejorar la calidad educativa tiendan a convertirse en lineamientos normativos, los cuales en la mayoría de los casos son vertidos en los alumnos tal cual se presentan de manera escrita a los docentes, dejando a un lado las relaciones interpersonales, la socialización, los valores, la creencias y las emociones de nuestros estudiantes, provocando consiente o inconscientemente una educación homogénea que no da oportunidad para reconocer, observar y analizar las distintas reacciones que estos programas sugeridos para mejora educativa provocan entre los diversidad de alumnos.

En la actualidad se habla de “una pérdida de valores” cuando se observan conductas delictivas, deshonestas e indignas entre los adolescentes. Los adultos se miran a los ojos unos a otros para buscar culpables condenando a la familia, a la escuela y a los medios de comunicación. Se habla también de que el mejor lugar para aprender los valores es la familia y los padres los principales responsables de transmitir con su ejemplo el respeto, la responsabilidad, el orden, la cortesía y los buenos hábitos. La escuela, por su parte debe cuidar los valores adquiridos en la casa y fortalecerlos.

…el niño se encuentra a merced de sus maestros. Se le ha forzado debido a su falta de experiencia y aprovechando su dependencia, a confiar en sus maestros y aceptar el mundo que le ofrece como una realidad (Buscaglia, 2002:63).

La noble tarea de la educación estriba en enseñar a vivir, ¿cuántos de los alumnos que repiten de memoria nuestras clases sobre español, matemáticas, historia o ciudadanía son capaces de afrontar con éxito los retos de la vida?, ¿cuántos de los que pasan todas sus asignaturas con calificaciones aceptables han logrado crecer en comprensión, sentido del deber y responsabilidad? La gran tarea de los profesores es enseñar conocimientos y al mismo tiempo desarrollar habilidades en sus educandos, pero lo más importante es prepararlos para ser hombres y mujeres concientes de su realidad, seguros, tolerantes ante las diferencias de sus compañeros y capaces de hacer de la diversidad cultural un enriquecimiento personal.

Nuestro interés pondera en los adolescentes como protagonista de prácticas sociales dentro de su institución educativa, mismas que generan cambios según su estado emocional y se detienen en los procesos de socialización que conforman su identidad colectiva, su autonomía, su autoestima y su toma de decisiones

La formación no formal de los jóvenes… todo un reto para el profesor

Desde el cristal de la dirección se observan los pasillos y patios de la escuela secundaria tranquilos, sin alumnos; panorama suficiente para que se piense que la escuela esta en completo orden y que la persona que esta sentada detrás del escritorio es un buen director porque tiene todo bajo control, todos sus profesores impartiendo clase dentro de sus grupos y todos los alumnos dentro de sus salones. Pero cuál es la realidad que impera dentro de esas aulas de clase?,

Las diferencias provocan que los estudiantes la pasen no del todo bien en la escuela, propiciando un ambiente escolar donde la conducta intimidante se incrementa constantemente, la discriminación entre compañeros se da a la menor provocación detonando expresiones violentas en las aulas, las exclusiones entre compañeros cada día se vuelven mas habitual, la violencia escolar es parte de la realidad de los alumnos y las emociones se ven afectadas por estas prácticas obstaculizando el propósito de la educación.

La Organización Mundial de la Salud define la violencia como el uso intencional de la fuerza y el poder, sea éste físico o psicológico, para actuar contra sí mismo u otra persona, grupo o comunidad, lo que provoca un daño que puede ser físico, psicológico o social (Elliott, 2008:21).

Durante los últimos años ha ido en incremento la violencia escolar casi en la misma medida que la violencia intrafamiliar. Intimidar, someter, amedrentar y oprimir a los compañeros del grupo son solo algunos sinónimos de lo que se conoce como bullying; reconocida como la manifestación más elevada de violencia que existe dentro de las instituciones escolares cuando una de las partes no esta dispuesta a hacer valer sus derechos o garantías y permite que se manifieste la desigualdad entre compañeros.

La mayoría de los jóvenes se asustan ante prácticas de intimidación, exclusión u hostigamiento, son llamados con apodos, y sus pertenencias son robadas por sus compañeros, las risas provocadas por algún malestar físico, por no acertar a la respuesta solicitada por sus profesores o por tener algún accidente al interior del aula es suficiente para ser blanco de burlas al igual que el incorporarse de manera extemporánea a la institución o el ausentarse por semanas de clases por motivos de salud, situaciones que agravan las posibilidades de exclusión entre los alumnos.

…no solo se trata de saber de qué estamos hablando, sino de cómo evitar o transformar el problema para lograr que la escuela siga haciendo su función social de educar para la vida, la salud, los valores democráticos y el respeto a los derechos humanos, lo que queda dañado cuando se toleran agresiones gratuitas como las que implica el bullying. (Elliott, 2008:22)

En las últimas décadas la educación ha sostenido una relación nada sencilla con los medios de comunicación. Fomentado más la desconfianza, la acusación, la transculturación, la deshumanización que la aceptación y el reconocimiento a los demás, los medios de comunicación siguen siendo fundamentales en la vida de los jóvenes participan directamente en la construcción de su identidad. Influyen sobre la noción de género, sobre el sentido de clase, de raza, de nacionalidad, sobre quiénes somos nosotros adultos y quiénes son ellos. Las imágenes de los medios de comunicación organizan en gran parte la visión de su mundo y de sus valores y sentimientos: dictan sobre lo que es bueno y lo que es malo; lo que es positivo y lo que es negativo; lo que es moral y lo que es inmoral. Los medios indican cómo actuar ante determinadas situaciones sociales; proponen qué deben pensar, qué deben sentir, qué deben creer, qué deben desear y qué deben temer. Les ofrecen ideas de lo qué es ser hombre y qué es ser mujer, de cómo vestirse, de qué deben consumir, les dan recetas para ser populares y evitar el fracaso, de cómo reaccionar ante diversos grupos sociales, normas, e instituciones. Toda una institución con más ventajas que la institución educativa, pero encontrar el punto medio siempre es posible.

Gran parte de los programas televisivos, del cine comercial, de los espectáculos, en vez de fomentar la conciencia, la armonía, la cooperación en el hombre y la mujer, promueven la idea de una vida, de inicio a fin, basada en la sexualidad y la violencia. (Alvarez, 2007:9).

Entre prácticas violentas, exclusiones y medios de comunicación las emociones en los jóvenes se encuentran a tope, la realidad que viven al cruzar el pórtico de la secundaria no es fácil para ellos; y se habla de crisis en educación porque no se cumple con los promedios esperados a nivel mundial, se habla de crisis en educación porque los profesores no ganan económicamente como deberían, se habla de crisis en educación porque los padres de familia se quejan del poco rendimiento de los docentes, se habla de crisis en educación porque los profesores no quieren dar de tiempo para actualizarse, se habla de crisis en educación porque los alumnos no participan en clase, no cumplen con tareas y no trabajan dentro de las aulas. Se habla de crisis en educación porque los jóvenes ¡ya no respetan a nadie!, ¡yo no les interesa nada!.

Como propuesta, ver la parte humana de los alumnos

Los jóvenes necesitan al igual que los niños y cualquier otro ser humano un ambiente adecuado donde poder encontrar estabilidad emocional. Una emoción es un estado afectivo que experimenta el ser humano, una reacción subjetiva al ambiente que generalmente viene acompañada de cambios orgánicos (fisiológicos y endocrinos) de origen innato, influidos por la experiencia.

En palabras de Alexander Lowen las emociones son hechos corporales, son literalmente movimientos o alteraciones dentro del cuerpo, que generalmente se traducen en alguna acción exterior (Lowen, 2006:53).

Las emociones van acompañadas de diversas expresiones físicas, existen una serie de reacciones emocionales que pueden ser llamadas sociales, porque en la producción de las mismas intervienen personas o situaciones sociales.

…La ira produce tensión… se conoce a un individuo irritado por su cara sonrojada, sus puños apretados y la contracción torva de su boca. El afecto o el amor suaviza todos los rasgos fisonómicos y llena de calor la piel y los ojos. La tristeza presenta un aspecto decaído, como si la persona estuviese a punto de romper a llorar (Lowen, 2006: 53)

Cada persona vive una emoción de forma particular, dependiendo de sus experiencias anteriores, aprendizajes adquiridos y tipo de carácter, lo cual nos habla de una diversidad emocional. Pero cómo impactan las emociones de los jóvenes en sus distintos entornos sociales?, basta mirar en cualquier aula de clases para respondernos. Para los jóvenes el factor emocional lo es todo en su vida, sonríen y se deprimen, lloran y cantan todo al mismo tiempo; por eso se dice que “nadie los comprende”. Los jóvenes actúan según se sienten emocionalmente y eso incluye el aula de clases y se rendimiento escolar.

Se puede decir entonces que las emociones son una combinación de aspectos psicológicos, fisiológicos y sociales que combinados responden de forma inmediata a comportamientos diversos entre los humanos. Los alumnos responden de manera violenta ante situaciones agresivas lo que genera incremento de violencia en las aulas de clase. Pero también las emociones conectan al alumno con una cultura y con una identidad, las emociones son todo un estilo de vida que ayudado por los distintos lenguajes (oral, escrito, mímico, corporal, musical, grafico) se convierten en símbolos externos que expresan sentimientos internos.

Fomentar la identidad y el manejo de las emociones en las aulas de clase puede sonar algo fuera de los tópicos de cualquier asignatura o plan y programas de estudio; pero aprovechar las materias ya establecidas en el currículo de secundaria y que tienen que ver con el ámbito social como Formación Cívica y Ética o Formación Ciudadana es factible de hacerse siempre y cuando se quiera. Todos tenemos emociones, y después sentimientos y estados de ánimo porque evolutivamente la emoción precede a los sentimientos y a los estados de ánimo. Los estados de ánimo son individuales pero dado que son contagiosos pueden hacerse colectivos.

Como educadores creamos una atmósfera característica en la que los niños se sientan orgullosos de sí mismos, logren dominar sus propias vidas y adquieran las habilidades que necesitan para la adultez. Es nuestro deber proporcionales el refugio donde sea posible practicar estas habilidades, especialmente cuando la casa y la comunidad carecen de calidez y compasión (Elliott, 2008:262)

En resumen, el tomar en cuenta a los jóvenes como humanos dentro de las aulas es tomar en cuenta sus emociones en el proceso de enseñanza lo que dará como resultante una mejor aprendizaje y aprovechamiento escolar. El introducir disciplinas artísticas podría ofrecer a los alumnos los recursos para conocer los distintos lenguajes con los que sus compañeros expresan sus emociones y sentimientos

Manejar las emociones con los alumnos encima de toda la carga administrativa no será fácil para los profesores pero puede invertir la situación de crisis en las aulas de clase y al mismo tiempo colaborar para formar una ciudadanía que sea consiente de las emociones que se generan en los otros para que sepan elaborar respuestas de forma crítica y reflexiva.

En veinte años los niños y jóvenes se acordarán muy vagamente de lo que vieron en sus clases pero lo que jamás olvidarán es la forma de ser de sus maestros, cómo los trataron y el ejemplo que les dieron

REFERENTES
* Alvarez, Lozano Jorge Luis (2007). Un mundo sin educación. Driada, México
* Buscaglia, Leo (2002). El Amor. La experiencia más importante en la vida. Diana. México
* Elliott, Michele. ( 2008). intimidación. Una guía práctica para combatir el miedo en las escuelas. Fondo de Cultura Económica. México
* Lowen, Alexander (2006). Bioenergética .Diana. México
* Ynclán, Gabriela. (2003). La secundaria: una escuela de ayer para jóvenes de hoy. Educación 2001, n93, febrero, pp 23-26
* http://www.telesecundaria.dgme.sep.gob.mx/formacion/planestudios2006.pdf

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Las sexualidades en el espacio universitario: dos escrituras. Rafael Blanco

Proyecto UBACyT “La experiencia universitaria. Estudios sobre la universidad pública” y Grupo de Estudios sobre Sexualidades- IIGG-UBA
GT 26- Sesión Asociada: Sexualidades Contemporáneas.

En los últimos años, especialmente en la ciudad de Buenos Aires, se vienen produciendo fenómenos de visibilización y movilización de prácticas y discursos relativos a la sexualidad que han marcado una progresiva intervención en el espacio público. Sin embargo, la dimensión que estos procesos adquieren en la vida cotidiana de las instituciones constituye un elemento menos explorado. Así, el objetivo general del proyecto de tesis doctoral en el que esta presentación se inscribe es interrogar cómo se hacen presentes las sexualidades en el espacio universitario, a partir de la idea de que estas se construyen socialmente también en la universidad...

...hecho poco explorado en la medida en que las investigaciones que cruzan sexualidad e instituciones educativas se han concentrado en la escuela como objeto privilegiado, institución opaca, lo que tal vez haya redundado en cierta ilusión de transparencia en el nivel superior del sistema educativo. Este enfoque supone, por un lado, pensar a la universidad no sólo como un lugar de impartición de saberes científico- profesionales sino también como un espacio de socialización cultural y de constitución de subjetividades. Por otro, implica plantear la pregunta respecto a cuáles son las formas de normatividad y la regulación de la vida social que operan en esta institución.

Así, en esta presentación busco dar cuenta del análisis desarrollado sobre una de las dimensiones de análisis del proyecto: la espacialidad de las instituciones, tomada como espacio vivido en el que se producen y habilitan determinadas relaciones sociales. Me centro en dos conjuntos textuales. Por un lado, la discursividad política en la que se pone en relieve la agenda política del movimiento estudiantil (y por lo tanto, las ausencias). Esta permite establecer la pregunta respecto de la dimensión enunciativa de esos discursos, es decir, los modos en que estos interpelan: quién es el destinatario, cuáles son las características del decir que predominan. Por otro lado, un segundo grupo lo constituyen las escrituras ligadas al deseo, el erotismo y la afectividad, replegadas en su espacialidad a "pequeñas inscripciones": bancos, paredes exteriores y baños en los que se intercambian mails, teléfonos, descripciones físicas o citas sexuales en espacios de la facultad, generalmente entre personas del mismo sexo. Las figuras del grito y el susurro pueden graficar las diferencias en el tono de estas dos discursividades en el que lo alto y público (abierto) constituye el territorio de los discursos legítimos, predominantes, autorizados en su enunciación (más allá de la radicalidad de sus contenidos) por contraposición al lugar de lo bajo y lo privado en el que se pone en escena no sólo los términos en los que se desenvuelve la socialidad no heteronormativa sino también el funcionamiento de un determinado mercado lingüístico.

Es a partir de estos dos conjuntos que busco dar cuenta del modo en que, a través del lenguaje, se hacen presentes las sexualidades ya sea de manera objetivada en las tipificaciones del mundo social, ya sea porque el lenguaje permite también dimensionar la magnitud de los silencios.

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“LO QUE ESTA ADENTRO ESTA AFUERA”. Dalia Marina Chargoy

El acoso moral, factor psicosocial de desestructuración emocional

NUESTRAS EMOCIONES SON DE FUNDAMENTAL IMPORTANCIA, ESTAN RELACIONADAS DIRECTAMENTE CON RESPUESTAS ASERTIVAS, O NO, QUE CADA SER HUMANO APORTA EN SU AMBIENTE.
LA DISOLUCIÓN DE VINCULOS AFECTIVOS IMPACTAN FRECUENTEMENTE DIVERSOS AMBITOS RELACIONALES, LOS INDIVIDUOS MANIFIESTAN AISLAMIENTO, DANDO MENOR IMPORTANCIA AL COLECTIVO, INCLUSO AFECTANDO CONCIENTE E INCOCIENTEMENTE, EL ADECUADO FUNCIONAMIENTO GRUPAL.

HOY HAY MAYOR NÚMERO DE PERSONAS QUE PADECEN DEPRESIONES REACTIVAS (no endógenas) PROVOCADAS POR VIVENCIAS BIZARRAS EN LA RELACIÓN DE PAREJA; RIESGO REAL QUE CONLLEVA A LA PARALIZACIÓ EMOCIONAL, E INCLUSO A MANIFESTACIONES PSICOSOMATICAS, ADICCIONES Y FORMAS AUTODESTRUCTIVAS EXTREMAS; DE IMPACTO IRREVERSIBLE EN LO FAMILIAR
EXISTE PREOCUPACIÓN POR LA VIOLENCIA INTRAFAMILIAR, QUE REQUIERE DE ACUCIOSA OBSERVACIÓN PARA IDENTIFICAR, LOS SIGNOS QUE DELATAN UNA RELACIÓN ABUSIVA. LAS SECUELAS SON ALARMANTES, EL MIEDO CRONICO SE ESTABLECE E INVADE LA VIDA PERSONAL CON GRAVES REPERCUSIONES SOCIALES
LA GRUPALIDAD NECESITA DE NUESTRA FUNCIONALIDAD, RESULTANDO EN BIENESTAR PROPIO Y DE OTROS.EL SUFRIMIENTO EMOCIONAL ES UN OBSTACULO PARA UN PROCEDER PRODUCTIVO Y CREADOR. AQUÍ REVISAREMOS, EL VINCULO QUE SE ESTABLECE DESDE EL ACOSO MORAL, PATOLOGÍA EXTENDIDA, QUE COMPROMETE LA SALUD EMOCIONAL, FÍSICA E INTEGRAL, A LA CUAL TODO SER HUMANO TIENE DERECHO DE GOZAR EN PLENITUD, Y DE LA QUE LA SOCIEDAD CREADORA SE NUTRE.

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jueves, 16 de julio de 2009

TECNOLOGIA E FANTASIA: UM ESTUDO SOBRE O CONSUMO DOS PRODUTOS AVON Roberta de Sousa Melo

Universidade Federal de Pernambuco
meloufpe@gmail.com

Corpos anabolizados, cirurgias cosméticas, uso de próteses, malhação exaustiva, perfurações no corpo, técnicas de suspensão corporal, dietas milagrosas, pele alterada pelo uso de cremes, etc: o corpo natural passa por vários processos de manipulação e modificação. Muitos teóricos vêm se interessando pelos impactos dessas inovações: Featherstone nos oferece reflexões sobre a flexibilidade e mutabilidade das barreiras e limites do corpo, fenômenos possibilitados por esse inovador arsenal tecnológico. Teóricos da contemporaneidade, como Giddens e Turner, apontam para a idéia de uma liberação social, cultural e sexual através da transformação do corpo, o que vem gerando mudanças significativas na natureza da identidade e na construção do self.

As estatísticas de estudos do mercado consumidor brasileiro corroboram o crescente investimento desses aparatos tecnológicos sobre o corpo. Dentre seus reflexos, interessa-nos o consumo dos produtos da indústria cosmética, que engloba os setores de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. No contexto de aliança entre o desenvolvimento tecnológico e a melhoria da estética corporal, nosso interesse recai num grupo específico: o de consumidoras dos produtos da revista Avon. Trataremos do uso de certo tipo de tecnociência cuja proposta principal, pelo que pudemos observar, é de melhorar a aparência e a performance corporal. Tais técnicas incitam, ao mesmo tempo, a busca constante pela preservação do vigor, da juventude, da beleza e da aparência saudável. Não se trata de uma tecnologia de alto impacto, como as cirurgias plásticas, por exemplo. Entretanto, o grande investimento nesse setor da cultura tecnológica, bem como o constante crescimento e popularização apontados por especialistas da área legitimam a importância de seu estudo. A Avon é líder mundial em venda direta de cosméticos e produtos de beleza, contando atualmente com mais de cinco milhões de revendedoras, atuando em 140 países.

De acordo com seu site, a empresa possui centro próprio de pesquisa e desenvolvimento, prezando por inovações em suas linhas de produtos. Ao mesmo tempo em que se define como uma empresa importante no setor farmacêutico de higiene e cosméticos, afirma ser a companhia que melhor entende e satisfaz as necessidades de produtos, serviços e auto-realização das mulheres no mundo todo. Autoridade técnica e os desejos do corpo e da alma se mesclam claramente nesse contexto. Buscamos aprofundar a análise do discurso tecnológico utilizado pela empresa, investigando como a tecnologia é vendida nesses produtos, e como o discurso é assimilado pelas consumidoras que criam nele expectativas afetivas. Vislumbramos um contexto cultural onde a tecnologia alia-se aos desejos das consumidoras, permitindo-nos contemplar um universo misto de técnica e fantasia. Atentamos para a credibilidade que elas depositam em tais técnicas para atingir seus objetivos, buscando, simultaneamente, o caráter fantasioso do processo no qual elas criam expectativas de manipular sua estética no intuito de construir o corpo dos seus sonhos. Isso nos permite perceber elementos que apontem para os significados atribuídos ao corpo tecnologicamente investido como instrumento de intervenção no mundo social.

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Medicalização da Vida como Cuidado de Si: Pondera: Pondera 20mg/10mg- Repasso 10 cx, por um ótimo preço! Erliane Miranda

Este trabalho é um recorte da dissertação “Medicalização da vida como cuidado de si: Pondera 20mg/10mg- Repasso 10 cx, por um ótimo preço!”, na qual investigamos o consumo contemporâneo de psicofármacos, dos tipos ansiolíticos e antidepressivos, a fim de verificar se esse consumo corresponderia, para seus sujeitos-consumidores, a um tipo contemporâneo de cuidado de si. Três temas foram mobilizados aqui: i) o cuidado de si; ii) a medicalização da vida; iii) a cultura do consumo. Nosso recorte de campo foi a Região Metropolitana do Recife, capital de Pernambuco/Brasil, identificada como detentora da maior percentagem de uso de ansiolíticos entre as 27 capitais brasileiras .

A proposta inicial desta pesquisa contemplava uma análise com sujeitos-consumidores de psicofármacos dos tipos ansiolítico, antidepressivo e regulador de humor. Contudo, nosso campo contemplou apenas sujeitos-consumidores de ansiolíticos e antidepressivos. A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (CEP/HUOC); todas as entrevistas realizadas foram antecedidas de uma apresentação prévia do propósito da pesquisa, da carta de anuência da Universidade Federal de Pernambuco e dos termos de ciência, de consentimento livre e esclarecido e de confidencialidade, devidamente assinados por todos os informantes. Adotamos o método de pesquisa qualitativo, a coleta de dados através de entrevistas semi-estruturadas e a seleção dos informantes por acessibilidade, ou sistema de bola-de-neve. Realizamos dezoito entrevistas. Utilizamos a análise de conteúdo e a técnica de análise temática para examinar a presença e a freqüência dos valores atribuídos nas falas dos informantes. Como o corpus por acessibilidade não representa a totalidade da população a que ela se refere e tem limites na sua capacidade de generalização, a partir desses agrupamentos compomos modelos interpretativos que nos permitiram a conformação de perfis e submetemos esses perfis à análise dos temas que orientaram nosso questionário.
O cuidado de si era uma ocupação que tinha início na formação de cada cidadão e se estendia como prática ou arte de uma existência, por toda a sua vida “numa espécie de exercício permanente” (Foucault, 2007a: 54). Na Idade Antiga, o corpo era tido como um instrumento através do qual as virtudes se manifestavam. Era preciso cuidar do corpo, ocupar-se dele; os exercícios deveriam ser, então, também orientados para o corpo – nisso configura-se a ascética (Foucault, 2004b: 516-518). É importante reconhecer que aí o cuidado com o corpo também se constituía numa prática individual e privada que se transpunha ao interesse coletivo, tanto social como político. Os antigos prezavam pelo equilíbrio, e este deveria promover uma melhor qualidade de uma vida e não o seu prolongamento ou “mais alto possível desempenho” (Foucault, 2007a: 96). Com a Modernidade, a idéia de controle sobre o corpo assinalou o cuidado de como uma responsabilidade individual e, para, além disso, como promotora de um controle do espaço social “que encara [va] a doença em sua dupla natureza, como problema sócio-político e como problema clínico” (Foucault, 2004a: Prefácio VII). Assim, a disciplina adotada pela modernidade dispensou a ascética dos antigos. Para Giddens essas mudanças geraram várias conseqüências no mundo e exigiram do sujeito “adaptações” de si. A modernidade inaugurou uma cultura panoptizada com sujeitos que se reconhecem antes através de seus corpos e tomam a razão como seu guia. O sujeito moderno se adaptou à observação constante do mundo que o cerca para se manter conectado consigo e com seu meio em processo constante: isso é reflexividade. Através da promoção simultânea de possibilidades de ação, interação, adaptação, mudança e amparo que o sujeito opera em si, um eu se constituiu em “um projeto reflexivo pelo qual o indivíduo é responsável” (Giddens, 2002: 74). Nesse contexto, o corpo também foi tomado como um meio de mobilização da reflexividade, se aproximando muito da noção de corpo como veículo de expressão das virtudes que significava para os antigos e a corporificação passou a ser o meio pelo qual o sujeito reflexivo se mostra para o mundo (Giddens, 2002: 59).
A realidade que encontramos em campo corrobora a idéia de um sujeito reflexivo que, de fato, se situa no seu tempo e lança mão de possibilidades disponíveis; isto é, que o seu contexto cultural, econômico e social lhe oferta, para cuidar de si mesmo. Esse contexto compreende orientação médica, como também informação de jornais, sites, literatura médica obtida de variadas maneiras. Ele sabe que seu “cuidar-se” – ora, não mais cuidado de si, não depende apenas de medicamento e considera, não raro, a necessidade de trabalhar sua subjetividade nesse âmbito, ou seja, pressupõe aquilo que chamamos ascese, auto-formação. Em linhas gerais, constatamos que o medicamento também é entendido pelo sujeito-consumidor de nossa rede de informantes como parte de uma terapêutica mais ampla:

Eu precisava de um acompanhamento psicológico com um terapeuta e também fiz o tratamento alternativo com terapias alternativas; fiz yoga, fiz reike [...] Mas eu não deixei o remédio – Valdir (40 anos, cabeleireiro).

Ainda que possamos reconhecer elementos claros de reflexividade nas falas desses sujeitos, reconhecemos, igualmente, limitações consideráveis. Ora, a reflexividade pode ocorrer sem que questionemos os postulados mais amplos dentro dos quais confrontamos nossos problemas afetivos, existenciais, políticos etc. Assim, investimentos terapêuticos que não estejam ancorados nas bases de uma economia contemporânea de tempo e benefício, a ser obtido sempre no curto prazo, não figuram para esses sujeitos como “viáveis”, ou desejáveis.
Uma descoberta relevante no âmbito do que pudemos observar no cuidado com a psicoafetividade perpassado pelo corpo, foi a de que os sujeitos-consumidores de nossa rede de informantes, operam uma economia na qual atribuem “pesos” a elementos que podem ser classificados como essenciais a uns, enquanto dispensáveis para outros, tais como os desejos cotidianos de fazer sexo ou ingerir álcool. Apesar de essa economia ter como finalidade a equalização da tensão entre usufruir do bem-estar e da segurança tanto físico como psicoafetivo proporcionados pelo consumo de psicofármacos e manter certo grau, ainda que baixo, de autonomia sobre seu corpo, percebemos que é no campo da subjetividade que ela surge, ganha importância e é operada, por isso, a chamamos de economia subjetiva:
A única coisa que eu li na bula, que não sei se a gente incorpora psicologicamente, é que ele deixa a gente mais tranquilinha de libido, dá uma acalmada. Pra gente que está só, ainda tem essa opção – Dilma (32 anos, nutricionista).

Eu me programo de forma que naquele dia eu não tenha consumido nenhum tipo de medicamento – Paulo (46 anos, professor universitário e doutorando em Ciências Humanas).

Eu acho que isso vai melhorando com o tempo. Eu senti mais no começo [...] foi uma fase de adaptação. Mas ainda assim, eu acho diferente [sexo]. Quando eu estou de cara [sem efeito de medicamento] é diferente. Mas é tão sutil que eu acho que eu consigo não deixar perceber, essa diferença [...] Não deixo de sentir, mas de cara é melhor” – Verônica (34 anos, graduanda em Ciências Humanas).

A “opção” assimilada por Dilma pode ser interpretada como uma reflexividade conformista, à medida que esse informante se utiliza dos efeitos da sua medicação, também para ludibriar suas próprias necessidades fisiológicas naturais. Sobre a informante Verônica, chama atenção tanto a percepção de que uma adaptação é possível “com o tempo” de consumo, e isso nos figurou como uma possibilidade percebida por este sujeito de dominar em si próprios os efeitos colaterais do medicamento, como a preocupação implícita, de “não deixar [o outro] perceber” uma fragilidade fisiológica, que pode ser compreendida como relacionada ao receio de que um efeito colateral fisiológico seja confundido com o efeito de uma indisposição afetiva. O desvelamento de uma “dieta” de abstinência alcoólica e baixa de libido nos revelou uma economia da intimidade desses sujeitos e nos forneceu uma noção do quanto eles estão dispostos a ceder ou se adaptar em benefício de um conforto emocional imediato. A capacidade de adaptação emergiu, portanto, como uma chave preciosa num contexto, no qual os sujeitos desenvolvem mecanismos de proteção para manter, ao mesmo tempo, seu conforto emocional e satisfações cotidianas asseguradas. Percebemos a elaboração de uma dieta de prazeres que uma vez ajustada pelo sujeito-consumidor de psicofármacos, acaba sendo indiretamente adotada por terceiros. Com efeito, nossa percepção da economia subjetiva elaborada por esse sujeito não constitui, nos termos foucaultianos, algo que se constitua numa ascese - não no seu sentido pleno, ainda que a elaboração de tais estratégias denote uma prática de si, à medida que requer tanto uma ausência de medidas exatas, como uma atenção sobre si e sobre o seu meio para ajustes necessários enquanto esta durar. Contudo, reconhecemos aí, tanto de um olhar sobre o cuidado com o seu corpo, como sobre a elaboração de estratégias para assegurar o consumo eficiente de seus medicamentos, um exercício de “consciência prática”, ou seja, de uma “parte integrante do [seu] monitoramento reflexivo”, sem empecilhos de barreiras cognitivas ou emocionais (Giddens, 2002:39).
Sobre a percepção que os nossos informantes têm de um cuidar-se, a partir da relação estabelecida nesta pesquisa com o consumo de psicofármacos, percebemos que esta percepção é constituída a partir de reflexões sobre seu corpo, subjetividade, cotidiano e meio, ainda que não tenhamos encontrado nenhuma preocupação que nos remetesse a qualquer prática que possa ser relacionada a uma cultura da existência. Com isso, não afirmamos que estes sujeitos-consumidores não exercitem questionamentos existências, mas antes, que o argumento geral que justifica esse consumo, é de ordem da vida em tempo real. As motivações para consumir o medicamento psicofarmacológico para uma solução do sofrimento psicoafetivo, emergiram fundamentadas, sobretudo, em preocupações presenciais, embora, seja perceptível a relação que essa preocupação remonte a experiências passadas, assim, como acabe exercendo uma espécie de “profilaxia da subjetividade” para o futuro. Entretanto, inferir disso que o sujeito contemporâneo não tem uma posição reflexiva também de resistência frente à possibilidade de uso desses medicamentos para um conforto de seus sofrimentos, não seria uma afirmação correta. Através da rede de sujeitos-consumidores de psicofármacos investigada, percebemos que tais sujeitos compreendem sua subjetividade como algo mais do que uma estabilidade capaz de ser manipulada organicamente, ou dito de outra forma, alcançada através da interferência de um agente químico:

Eu tentei uma melhora. Eu tentei me curar [...] fazendo aquele tratamento [mas] na verdade seria o caso de uma terapia não de remédio [...] minha expectativa era que melhorasse [mas] não, continuou para mim na mesma coisa [...] eu acho que tinha até piorado – Jeane (27 anos, dona de casa).

A partir da percepção que fatores de ordem econômica, política e sócio-culturais, interferem tanto na percepção que esse sujeito constrói de si, como na visão que ele abstrai do mundo, interrogamo-nos também sobre a possível atuação de uma cultura de consumo na decisão do consumo de ansiolíticos e antidepressivos “incitados” por tal cultura. Tal questionamento se mostrou relevante a partir de afirmações como a de que a cultura de consumo figurou como um dos principais meios pela qual se deu a ampliação da medicalização da vida, norteada pela função que a medicina exerceu do plano individual até o plano político, nas sociedades de regime disciplinar que aproximou razão médica e ciência, modernas (Luz, 1988; Lefèbvre, 1991; Barros, 2004). Em última instância, perseguimos a hipótese de Ortega que “corpo e self tornam-se idênticos” à medida que o corpo passou a representar a “liberdade pessoal, o melhor de nós”, de que o corpo tornou-se “o lugar da moral”, ou seja, que o corpo se tornou em “fundamento último e matriz da identidade pessoal” (Ortega, 2002). Investigamos a relevância desta cultura na medicalização da vida, sobretudo, no que tange a suspeita do consumo de psicofármacos se dê em busca de um estado psicoafetivo confortável, feliz, fácil e imediato. Em um passado recente, a nova noção de self, ilustrada por McCracken (2003), chegou a figurar como precursora de um comportamento narcísico. A mudança de um ambiente tradicional para o ambiente moderno teria promovido esta noção, sobretudo, partir de relações familiares que abdicaram da “autoridade e a transformação do superego” e transferiram todos os padrões, como o da educação doméstica, para moldes de uma organização industrial que operou “o distanciamento irônico como fuga à rotina”, que teria dissociado o “auto-escrutínio” da “introspecção crítica”, caracterizando o auto-escrutínio como uma defesa contra o tédio e o desespero para “escapar da sensação resultante de inautencidade [através da qual cria] uma distância irônica de sua rotina diária” (Lasch, 1983: 127-224). Posteriormente estudos sobre as mudanças ocorridas com a passagem de uma cultura industrial para uma cultura de consumo evoluíram para a percepção do hedonismo como mola propulsora dessa cultura. Ao estudar O Moderno Hedonismo Autônomo e Imaginativo, Campbell ressaltou que, em grande medida, a transformação do sujeito tradicional em sujeito contemporâneo pode ser atribuída à habilidade desenvolvida por desse sujeito de invocar para consciência, não mais apenas imagens que resgata da memória, mas, ora, que podem antecipar acontecimentos. Para Campbell, isso inaugurou, para além do “processo fundamental para o nascimento do desejo”, a capacidade do devaneio, da fantasia e construção imaginativa, que ele reconhece como uma “propriedade [hedonista] nitidamente moderna”. A promoção do sujeito contemporâneo à condição de sujeito capaz de transcender à medida que opera via excitação do desejo como forma de otimização da mente, “sendo o prazer o princípio orientador” e gerando o “como se” é o que concede ao hedonista contemporâneo “a aptidão para tratar dados sensoriais “como se” fossem reais, enquanto sabendo que, na verdade, são falsos” (Campbell, 2001: 114-129). Para Ortega, esse processo também compreende a obsolescência do corpo - parte do processo de uma “desincorporação da subjetividade”, que converge “real e imagem” e eleva a imagem ao estatuto de realidade a partir da percepção de que “o corpo é a maneira de exprimir nosso ser no mundo”. Excitação do desejo e expressão de si, constituem-se, assim em performance.

Ultimamente eu acho mais que tomo por causa dessa violência, eu não fantasio, eu vejo com os olhos [...] eu tenho que sair pra andar muito, pela cidade, se vim alguma coisa por aí [ e eu estiver medicada], eu sei me controlar, sei como me defender – Arlinda (56 anos, dona de casa).

Fica claro, portanto, que o simples hedonismo e a excitação do desejo de que fala Campbell, não conseguem dar conta dos elementos envolvidos no consumo de psicofármacos, bem como se torna evidente a preocupação dos nossos informantes com uma performance. Nesta última fala revela-se, ainda, uma auto-reflexão ou auto-escrutínio que, por sua ligação com o hedonismo moderno, poderia exemplificar o processo de constituição do sujeito narcísico de que fala Lasch e que se tornou possível, dentre outras coisas, pela dissolução dos laços sociais tradicionais:

A gente não pode negar que a química existe, né? A gente é química [...]. Será que eu precisaria de menos [medicação]? Será que eu não precisaria [de] mais? Será que [minha necessidade do uso da medicação] é meio psicológica? [...] Não descartando a bioquímica, mas será que eu aprendi com isso também a me observar ainda mais, de fora, a me tornar mais tolerante? [...] Eu não posso descartar o lado hedônico [...] mas [tem] uma coisa de stress. [A medicação] não é a solução dos meus problemas, é só um subsídio – Dilma.

De fato, reconhecemos em nosso campo uma preocupação com a construção de uma (auto) imagem idealizada, o que, em certa medida, nega o cuidar-se pelo uso de psicofármacos do sujeito contemporâneo como cuidado de si. Apesar disso, nada nos autoriza a afirmar que isso se dá como forma de compensação pela quebra de laços sociais estáveis que levam o sujeito a voltar-se para si de modo narcisista. O que parece estar em jogo é simplesmente uma forma de reflexividade que se revela incapaz de pensar a subjetividade como um processo de ascese, tal como o entende Foucault quando fala de cuidado de si – o elemento de auto-formação, auto-transformação, ou terapêutico, num sentido mais amplo, já não se encontra aqui. O “direito à felicidade” que embasa a economia do desejo parece tornar o consumo do psicofármaco equivalente ao consumo da maquiagem. Um olhar mais atento apreende que o elemento determinante no uso dos psicofármacos parece ser a supressão da dor que, por seu imediatismo, em detrimento do “jogar-se na vida”, da aprendizagem pelo erro e pelo sofrimento, enfim, da ascese como prática de reflexão que caracteriza o cuidado de si. Ainda assim, é importante pensar que a subjetividade moderna não surge do nada: o cuidar-se contemporâneo aparece como uma versão do cuidado de si. O problema aparece na medida em que o consumo dos psicofármacos deixa de ser um meio para se refletir acerca da própria existência (sua dimensão terapêutica) e passa a constituir um fim em si mesmo, ainda que com alguns lampejos de inquietação que podem levar à reflexão, ainda que contingente, que lide apenas com a superfície dos problemas. Algo se perdeu no processo de modernização. A reflexividade associada ao consumo de psicofármacos é contingente e localizada, impondo limites à reflexão e, portanto, ao autogoverno. O que se percebeu foi a constituição de uma reflexividade contingente, incapaz de pensar a subjetividade como processo de formação, incapaz de pensar uma ascese, ou mesmo uma terapêutica que pudesse fortalecer esta subjetividade.

Bibliografia
BARROS, José Augusto C. 2004. Políticas Farmacêuticas: à Serviço dos Interesses da Saúde? Brasília: UNESCO.
CAMPBELL, Colin. 2001. A Ética Romântica e o Espírito do Consumismo Moderno. Rio de Janeiro: Rocco.
FOUCAULT, Michel. A história da sexualidade, 2: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Edições Graal.
______. 2004b A Hermenêutica do Sujeito. São Paulo: Martins.
______. 2004a. O nascimento da clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária.
LASCH, Christopher. 1983. A cultura do narcisismo – a vida americana em declínio. Rio de Janeiro: Imago.
LEFÈVRE, Fernando. 1991. O Medicamento Como Mercadoria Simbólica. São Paulo: Cortez.
LUZ, Madel Therezinha. 1988. Natural, racional, social: razão médica e racionalidade científica moderna. Rio de Janeiro: Campus
GIDDENS, Anthony. 2002. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.
MCCRACKEN, Grant. 2003. A produção do consumo moderno. In: Cultura e Consumo: novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. Rio de Janeiro: Mauad.
ORTEGA, F. 2002. Da ascese à bioascese, ou do corpo submetido à submissão do corpo. In: Imagens de Foucault e Deleuze. Rio de Janeiro: DP&A.

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“Sensaciones, cuerpo y clase. El significado de la enfermedad para jóvenes... Martín Eynard

“Sensaciones, cuerpo y clase. El significado de la enfermedad para jóvenes con diabetes tipo 1: un estudio en distintos niveles socioeconómicos de la ciudad de Córdoba”.

Los procesos de salud-enfermedad-atención (S-E-A) son un boleto válido de entrada para dilucidar las imbricaciones entre sensaciones, clase y cuerpo, en la medida que éste es -en última instancia- el locus de explotación, conflicto, malestar, placer o bienestar con que contamos (sensu Scribano). Además, la necesidad de inscribir la perspectiva de los actores como un referente imprescindible dentro de los esquemas analíticos de los procesos de S-E-A emerge cada vez más con mayor énfasis desde diversas voces. En este trabajo, se intentó evidenciar cómo en la percepción de la salud sentida y del padecimiento, se revelan también diferencias de clase, puesto que la enfermedad impacta objetiva y subjetivamente de forma diferenciada según en lugar ocupado en el espacio social. El objetivo del trabajo fue analizar los significados de la enfermedad en la vida cotidiana de un grupo de 12 jóvenes con diabetes mellitus tipo 1 de diferentes niveles socioeconómicos (NSE) de la ciudad de Córdoba, durante el año 2006. La metodología empleada fue cualitativa (entrevistas en profundidad y observación, analizadas con el Método Comparativo Constante de Glaser y Strauss). Los principales resultados indicaron que la enfermedad fue significada de diversas maneras y que en base a las perspectivas de unos y otros NSEs, se evidenció una diferencia de clase en la perspectiva del actor acerca de su padecimiento.

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